Ele se acorda no meio da madrugada e começa a disparar tuítes, chegando ao público primeiro que as notícias matinais da TV e do rádio e dos jornalões. Isto gera um pandemônio, porque muitos dos informes e análises preparados pelas redações, ao longo da madrugada, são desmontados pela metralhadora implacável do Donald Trump. Tudo tem de ser refeito, o que obriga a mídia a ficar a reboque do magnata. Se isto já era um inferno com ele candidato, imagine-se agora ele presidente.
Mas o maior problema não é este e sim o fato de, com o Twitter, e seus textos de no máximo 140 caracteres, Trump não passar pelo crivo da mídia, na mão da qual comeram todos os presidentes até ele.
Acabou a era de o presidente sujeitar-se à vontade desse grande conglomerado, que, em última análise, é o poder mundial, como retrata a composição diretiva da rede CNN. Em vez de soltar nota oficial, soprar notícias para repórteres e diretores midiáticos e dar entrevistas, muitas das quais saíam distorcidas, manipuladas e às vezes censuradas por completo, Trump prefere dizer tudo pelo Twitter, instrumento bem mais ágil e instantâneo que a morosa máquina midiática.
A reação tuítica do presidente acabou produzindo estragos e comprometendo o prestígio da mídia junto ao público, que baixou de 53% para 32%. E deixou tão mal a CNN, quando a chamou de Fake News (notícia falsa ou mentirosa), que a Venezuela se sentiu estimulada a escorraçá-la, proibindo suas transmissões para todo o território do país. Isto apesar de todo o poder mundial da rede americana, um conglomerado gigantesco, que inclui produtores de filmes, cultura, armamento, telefônicas, bancos como Goldman Sachs, fundações Rockfeller, FMI etc.
Um dado a mais, apenas, o Donald Trump não é pioneiro no uso do Twitter. Antes dele, Hugo Chávez e Cristina Kirchner utilizaram-se da engenhoca para enfrentar o polvo midiático. E que fique igualmente entendido que o Twitter não serve apenas à esquerda. É faca de dois gumes, porque foi a ferramenta utilizada para as mobilizações da primavera árabe, que esquartejou o presidente da Líbia, Mouhamar Kadaffi, espalhou o pânico na Síria, quase pega os aiatolás do Iran e o Putin, na Rússia (guerra da Chechênia) e drrubou a Dilma no Brasil com os panelaços e as mobilizações gigantescas, desde junho de 2013

Veja aqui o vídeo especial.

DEIXE UMA RESPOSTA