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Crítica do filme "Coração Louco"

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Por Reynaldo Domingos Ferreira

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crazyhearO protagonista de Coração Louco, de Scott Cooper, é cantor e compositor de música country, alcoólatra, em fase de dura decadência, que tenta sobreviver, realizando shows em boliches de pequenas cidades do interior dos EUA até que, um dia, conhece uma jovem jornalista, que o influencia a se reabilitar.
 O roteiro, também de Cooper, é baseado na novela homônima de Thomas Cobb, que parece haver moldado a personagem de Otis “Bad” Blake (Jeff Bridges), de 57 anos, nas figuras de Waylon Jennings, Kris Kristofferson e Merle Haggard. Assumindo a característica de  road movie, de caráter edificante, Cooper sustenta sua fraca narrativa graças a uma trilha sonora constituída de belos temas musicais– como The Weary Kind, Oscar de Melhor Canção Original - , e à atuação de um elenco de atores de muita categoria.

 

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Crítica do filme "O segredo Dos Seus Olhos"

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Por Reynaldo Domingos Ferreira

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el-secreto-de-sus-ojos-2 Em O Segredo Dos Seus Olhos, o cineasta argentino Juan José Campanella realiza um thriller policial de conotação política para traçar um instigante e, às vezes, comovente paralelo entre duas histórias de amor que, por não se concretizarem - eis o segredo -, resistiram ao tempo. Tudo é narrado em duas épocas, com interregno de mais de vinte anos.

 Com base no livro La Pregunta de Sus Ojos, de Eduardo Sacheri, Campanella escreveu um roteiro cheio de nuances características do gênero noir : um crime bárbaro e misterioso; um funcionário da justiça pouco habilitado para exercer a função inquisitiva, que age em companhia de outros colegas mais estouvados ainda, e muitas investigações atrapalhadas, geradoras de conflitos paralelos.

Última atualização ( Qua, 03 de Março de 2010 15:51 ) Leia mais...
 

Crítica do filme "A fita branca"

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Por Reynaldo Domingos Ferreira

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deletar-a-fita-branca_foto1Numa comunidade rural protestante da Alemanha, em tempos anteriores à  I Guerra Mundial (1913 / 1914), uma sucessão de fatos estranhos começa a ocorrer, criando, entre seus integrantes, um clima de suspeita, de opressão e de medo. É esse o tema exposto, com rigor técnico, pelo cineasta austríaco Michael Haneke, em A Fita Branca, ganhador da Palma de Ouro do último Festival de Cannes.

      Uma das inegáveis qualidades do filme é a fotografia, em preto e branco, de Christian Berger. Além da plasticidade, ela propicia atmosfera à narrativa de perfeita identificação à dos clássicos alemães e suecos da época em que transcorre a ação, de muito puritanismo. O roteiro do próprio Haneke – que foi assistente de Jean-Claude Carrière – parece, entretanto, dispersivo, particularmente na fase de apresentação das personagens, isto é, dos núcleos familiares envolvidos na questão.

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Crítica do filme "Preciosa"

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Por Reynaldo Domingos Ferreira

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preciousUma história dura que aborda a violência familiar no âmbito afro-americano, em Nova York, narrada com muita sensibilidade, faz de Preciosa – Uma História de Esperança, de Lee Daniels, um filme contundente. Segundo o seu diretor, ele foi realizado com o objetivo de atingir o plano universal. E o atinge, pois conquistou, de início, os prêmios de público de dois importantes festivais: Sundance e San Sebastián.
Baseado no livro Push, de Sapphire (Ramona Lofton), o roteiro de Geoffrey S. Fletcher fixa a ambientação da história em 1987, no Harlem, de ruas imundas e prédios grafitados, onde vive Claireece Precious Jones (Gabourey Sidibe). Ela é uma jovem de 16 anos, obesa, semianalfabeta, grávida, que já tem uma filha, sofredora da síndrome de Down, sendo as duas crianças filhas de seu próprio pai.
Preciosa mora num cubículo claustrofóbico com a mãe, Mary (Mo´Nique), uma desempregada, intolerante, que se aproveita de programas de assistência governamental à criança Mongo (mongolóide), pela qual, na verdade, não se responsabiliza. Mongo vem sendo criada não por ela, mas pela bisavó em outro lugar. Quando a diretora da escola descobre que Preciosa está grávida, impede-a de frequentar as aulas, aconselhando-a a procurar uma organização que oferece cursos alternativos. É passando para esses cursos que ela vai conhecer algumas criaturas que se sensibilizam com a sua desventura ao ouvi-la clamar: - O amor não fez nada por mim! O amor me bate, me estupra, me chama de animal, me faz sentir uma inútil, enfim me deixa doente.
A primeira delas é a professora Ms. Blu Rain (Paula Patton), que estimula Preciosa a aprender a ler e a escrever um pequeno diário. A segunda é a assistente social Ms. Weiss (Mariah Carey), que a leva a refletir sobre os males que lhe causam, mesmo que involuntariamente, a sua situação em casa. Quando ela se interna num hospital para dar a luz a Abdul, conhece o enfermeiro John McFadden (Lenny Kravitz), que lhe demonstra também certa ternura.
Para Daniels – que recebeu apoio, na produção e divulgação do filme, de Oprah Winfrey, apresentadora de um programa de televisão de grande audiência nos EUA -, o tema da violência doméstica não é inédito. Como produtor, tratou da questão em Tennessee, porém num tom mais ameno, distante do de Preciosa – Uma História de Esperança, o qual ele, como diretor, procurou, entretanto, atenuar, insuflando, na narrativa, elementos de fantasia e eflúvios de esperança. Assim, conforme explica, sem perder o espírito original, a película não é o livro que, se fosse transposto literalmente para a tela, resultaria em algo obscuro e torturante para o espectador. 
Embora criativo, o realizador de Matadores de Aluguel não se arrisca a formular novos procedimentos de narração. Tudo, para ele, é na base do convencional. Mas dá extraordinária importância ao que se passa no interior das personagens para definir, em termos estéticos, a mise-en-scène. Por isso, exige muito dos atores – que, no geral, estão bem -, principalmente Gourney Sibide, uma estreante, escolhida para o papel da protagonista, entre mais de 400 candidatas, cujo aparecimento representou, para Daniels, segundo suas palavras, um verdadeiro milagre.
Sibide, tecnicamente bem preparada, interioriza satisfatoriamente o negativismo ingênuo de Preciosa que, ao ser atacada, tanto no lar como na rua, por desocupados que zombam de sua obesidade, se refugia sempre no mundo dos seus sonhos. E é justo nesses momentos de fantasia – sublinhados por uma trilha sonora de muita qualidade - que a atriz ilumina a tela com a luz do seu talento. Ou, em outras palavras, ela mostra, com categoria, que não foi só o atributo físico que lhe assegurou a escolha de Daniels para ser a Preciosa.
Outra estrela que brilha intensamente é Mo´Nique no papel de Mary, mãe da protagonista. Mais experiente, a atriz tem instantes memoráveis, especialmente quando, na sequência  final, tenta, em diálogo, junto a Ms Wiess, conseguir o retorno de Preciosa e Abdul para casa. Identifica-se, graças à sua esplêndida atuação, que Mary agira, em relação à filha, como um animal. Fora mãe apenas por instinto, jamais por reflexão. Só quando se viu sozinha, sem o amante, Mary compreendeu que necessitava da companhia da filha. Mas então já era tarde.

REYNALDO DOMINGOS FERREIRA

FICHA TÉCNICA
PRECIOSA – UMA HISTÓRIA DE ESPERANÇA
PRECIOUS
EUA/2009
Duração – 110 minutos
Direção – Lee Daniels
Roteiro – Geoffrey S. Fletcher, com base no livro Push, de Sapphire
Produção – Lee Daniels, Oprah Winfrey, Tom Heller
Fotografia – Andrew Dunn e Darren Lew
Trilha Sonora – Mario Grigorov
Edição – Joe Klotz
Elenco – Gabourey Sibide (Claireece Precious Jones), Mo´Nique (Mary Lee Johnston),
Paula Patton (Ms. Blu Rain), Mariah Carey (Ms Weiss), Lenny Kravitz (John McFadden), Nealla Gordon (Mrs. Sondra Lichtenstein), Stephanie Andujar (Rita Moreno) 

 

Crítica do filme "Invictus"

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Por Reynaldo Domingos Ferreira

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freeman_invictus_lEm Invictus, de Clint Eastwood, o líder Nelson Mandela, em seu primeiro mandato como presidente da África do Sul, após cumprir a pena de 27 anos na prisão, demonstra habilidade política ao usar o esporte para superar os problemas de cisão do país decorrentes do apartheid.

O filme se baseia no livro Playing The Enemy: Nelson Mandela And The Game That Changed A Nation, de John Carlin, com roteiro escrito por Anthony Peckham, de muita funcionalidade, porém, sem detalhes rebuscados. A ênfase, tanto do roteiro como da direção, se assenta na questão – sem muito significado, infelizmente, em nosso meio – de que é imprescindível que o líder seja uma figura exemplar para seus liderados a fim de merecer deles a estima, o respeito e a consideração. É em torno do esporte que se inicia a conversa de Mandela (Morgan Freeman) com François Pienaar (Matt Damon), capitão do Springbok, o time de rugby, que passava por uma fase ruim, desacreditado pela torcida, constituída de brancos, às vésperas da Copa Mundial (1995), a ser sediada na África do Sul. Mandela, ao servir ele próprio ao jogador o chá da tarde, lembra-lhe que esse costume, assim como o rugby, foram duas boas coisas que lhes deixaram os ingleses.

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